30 de novembro de 2011

Entrevista com Leonardo Cantinfras

É normal para quem está chegando agora e começa a colar em shows, achar que tudo aquilo que está acontecendo é mérito somente das bandas que estão tocando. Mas para quem já esta um tempo envolvido com a parada, sabe que em um simples shows, muitas pessoas estão envolvidas e merecem o mérito, inclusive o publico. Neste cenário podemos identificar as bandas, o publico, os organizadores do show e os selos que se desdobram para lançar o material das bandas.
Hoje estamos entrevistando um cara que além de ser gente boa pra kct, se enquadra em todas essas caracteristas, o Surfista Vegano Leonardo Cantinfras.


Salve Canti, conte-nos um pouco sobre como surgiu a ideia de fazer um selo e como foi o começo da Caustic.
Bom, na verdade quem iniciou o selo foram o Fabio e a Dani. Na época eu tinha minha distribuidora, Mar Sangrento Distro e distribuía somente fitas K7s de demos das bandas: Confronto, Good Intentions, Oposição, Resposta, Extopim, Ofensa, Dissentment e muitas outras. Daí eles fizeram o primeiro lançamento pela Caustic com o cd Odyssey – Eleven Reasons to Live, Eleven Reasons to Die e a partir daí iniciamos nossas atividades juntos. Acredito que tudo começou por volta de 2002/2003. Com o tempo, fomos lançando outros títulos, trocando material, comprando outros, abrimos nossa loja virtual, e estamos ai ate hoje, pra durar!

A Caustic é um dos selo/distro mais respeitados do país, fale um pouco sobre as dificuldades e motivações de manter esse corre.
Manter um selo hoje em dia é prova de muito esforço, dedicação e amor à musica independente. Digo isso não somente para os selos envolvidos com o hardcore, mas em geral. Poucas pessoas hoje em dia apóiam o material físico lançado pelas bandas. Mas pra mim lançar e distribuir material das bandas que eu gosto é uma honra. Por exemplo, na parte de distribuição, mesmo com toda a facilidade que temos para pedir um material no exterior, tem gente que não tem acesso. Daí a pessoa pode contar com a Caustic e adquirir material importado a preço acessível. E sempre terei aquele pensamento de poder ajudar bandas e selos de pessoas amigas distribuindo seus materiais, e fazendo com que outras pessoas tenham acesso a seus lançamentos.

Santos sempre foi um lugar importante para o hardcore brasileiro e agora está cena esta voltando a ter força com bandas ganhando notoriedade e mais shows rolando por ai, comente um pouco sobre esse revival.
Santos é onde eu nasci, cresci e acredito que vá morrer aqui. Estou envolvido com o hardcore aqui desde 94/95 e tive a honra de ver aqui bandas como Los Crudos, Better Than a Thousand, Madball, Shelter, Force Of Change, Purification, New Found Glory, Face to Face, etc....A cena local esta em uma fase que eu vejo como crescimento. As bandas mais ativas daqui estão começando a tocar fora da cidade direto, como Bayside Kings, Blackjaw, Like a Texas Murder e Analisando Sara. Há um coletivo chamado Crucial Times que tem se esforçado para fazer eventos e manter as coisas funcionando aqui. Como exemplo, fizeram recentemente o show do Gorilla Biscuits agora em novembro. Fico muito feliz que ainda há pessoas que mantém as coisas funcionando. Seja em qual cidade for, é sempre importante apoiar nossa cena local.

Aparentemente aqui no brasil o cd continua sendo o tipo de mídia numero um na opção do pessoal que compra material das bandas, porem notamos que a Caustic tem aumentado bastante o numero de vinis disponíveis para venda. Você acha que essa realidade está mudando e que o pessoal esta começando a dar mais valor ao vinil? 
Nossos lançamentos sempre foram CDs e para prensar no Brasil, é o meio mais barato que temos. Ultimamente tenho comprado alguns discos de vinil porque temos um publico que compra nesse formato. Vinil é algo que, acredito eu, todos preferem, seja pela estética como pelo som. O que impede mesmo é toda a logística que existe para pedir um material em vinil de fora: frete mais caro, valor do vinil ao cd muitas vezes mais caro também, mais fácil de ser tributado pela alfândega, ocasionando um valor maior ao preço final. Mesmo com todas essas dificuldades, eu vou continuar teimando e tentando vender ao menor valor possível discos que eu considero bons que mereçam ser distribuídos aqui no Brasil. Mas também não vou deixar de lado o CD, pois ainda é muito procurado por muitas pessoas.

O cds Welcome to your Doom do Ralph Macchio e o Fiel a Tradição do Norte Carte foram lançado pela Caustic em parceria com a Seven Eight Life, comente como rolou essa parceria.
Essa parceria existe a muito tempo, desde que começamos a distribuir os CDs da 78 Life. Se não me engano, foi bem no começo do selo que começamos essa distro. Mas o primeiro lançamento que fizemos juntos foi o split cd Live By The Fist/Tiempos de Honor. Acredito que ainda vamos fazer muitos outros lançamentos, pois temos uma grande amizade com as pessoas envolvidas com o selo 78 Life, pessoas as quais respeitamos e muito por toda sua dedicação que fazem ao hardcore nacional e sulamericano. Mas falando em parcerias, hoje em dia é muito valido, pois são mais possibilidades das bandas divulgarem seus trabalhos, assim como facilita na hora de dividir as despesas. Se houver a possibilidade de fazerem algo em parceira, sempre avaliem as propostas. 

Recentemente vocês lançaram o destruidor Pure Mayhem do Clearview que na minha opinião foi um dos melhores lançamentos de 2011. Quais são os planos futuros da Caustic?
Sim, esse cd do Clearview quando escutamos, falamos na hora: “Temos que lançar esse disco”. Dito e feito, e pra você ver, fizemos em parceria também com o selo Hearts Bleeds Blue e One Voice. Grande parceria que fizemos! Agora sobre nossos futuros lançamentos, teremos o cd da banda Sangue Odio Hardcore, o qual já esta finalizada as gravações, só precisando uma mixagem e masterização, os quais devem ser feitos em breve. E também vamos lançar uma coletânea com as bandas de Santos em um total de 8 bandas. Possivelmente em fevereiro, se todas as bandas conseguirem gravar ate lá, teremos em mãos esse cd. E agora estamos planejando fazer eventos regularmente com o nome de Festa Caustic, os quais estamos fazendo ao lado do pessoal da Juventude Positiva e Crucial Times, tanto em São Paulo capital como em Santos. A minha idéia é fazer, quando o show for em Sp por exemplo, chamar uma banda de Santos, outra do interior, e quando pudermos trazer uma banda de outro estado, e o restante da grande Sp, seja ABC, SP, Zona Leste, Oeste, Guarulhos, etc... O primeiro evento acontecerá agora dia 4/12 com as bandas: Clearview, Still X Strong, Sangue Odio Hardcore, Ralph Macchio e Larusso. Vai rolar no Sattva Bordo, a partir das 17:00 com o valor de R$ 10,00. Também não temos somente a intenção de chamar bandas que fazem parte do selo, vamos convidar bandas de amigos também.

Você já passou por várias bandas que ficaram marcadas na história da nossa cena, entre elas podemos citar como maior destaque o Live By The Fist e o Larusso que agora está de volta. Fale um pouco sobre as bandas que você passou.
Eu confesso que não sou musico nem tampouco tenho essa intenção, mas eu gosto de fazer um barulho, gosto de estar em bandas seja tocando baixo ou guitarra. De todas as bandas que eu toquei e toco, acho que o Live By The Fist foi a banda com que alcançamos mais coisas, fazendo turnê Chile/Argentina e tocando em muitas cidades aqui no Brasil. Lançamos mais materiais, sendo um cd full-lenght e um split cd, agradando muitas pessoas, mesmo a banda carregando consigo a postura Straight Edge. O Larusso ta de volta porque, sabe aquela sensação de que ficou algo incompleto? È isso que eu sinto na banda, acho que podemos fazer muita coisa ainda, e com certeza vai rolar. Sobre minhas outras bandas, já toquei em bandas como Getting Mental (minha primeira banda), Final Expression, Brick By Brick, Unify, Harbor Academy e Deal Cards. Hoje em dia alem de tocar no Larusso, toco em uma banda de hardcore melódico chamada Glorious Bonds e uma banda hardcore punk vegan straight edge chamada Timeshot. Ambas as bandas vão fazer parte da coletânea com as bandas de Santos. Então aguardem que vem coisa boa ai! Alem do que sou membro reserva de bandas como Good Intentions, Live For This, Still X Strong, Corleone, Vendetta, Ralph Macchio e Sangue Odio Hardcore.

Já fazem bons anos que você está envolvido com o hardcore, você acha que a cena mudou de la pra cá? e se mudou, nos diga o que mudou. 
Sim, com certeza a cena mudou, assim como tudo na vida muda. Se formos reparar um pouco, ate mesmo o estilo de som que as bandas tocam hoje em dia, não é o mesmo que as bandas tocavam a 5, 10 ou 15 anos atrás. Hoje em dia eu vejo que está mais fácil organizar shows, as bandas hoje em dia conseguem comprar seu próprio equipamento, facilitando ate mesmo os organizadores, pois trabalhando em coletivo, um empresta um ampli, outro empresta a bateria, etc... O que eu vejo hoje em dia, é que há menos shows fora da grande São Paulo, e quando há em SP, menos shows nos bairros, estão mais centralizados. Pode ser bom ou ruim, depende do ponto de vista de cada um. Talvez um show no bairro, traga uma pessoa que nunca teve contato com o hardcore e faça ela refletir sobre o que é passado em nossa cena. Faça essa mesma pessoa questionar até mesmo sobre a sua própria vida!

Cite algumas bandas que lhe agradam na nossa cena atual.
Cara, bandas hoje em dia tem muitas que me agradam. Posso até esquecer algumas, mas ultimamente tenho escutado muito Still X Strong, Ralph Macchio, Final Round, Clearview, Carahter, O Cumplice, The Alchemists, Norte Cartel, Positive Youth, Blackjaw, Paura, Inspire, Sangue Odio Hardcore, Confronto, Good Intentions, Naifa, Merda, Os Pedrero, Veneno Lento....
Muito obrigado pela entrevista Canti. Como de costume fica esse espaço aberto para você deixar uma mensagem pra rapeize que le esse eZine.
Opa, eu que agradeço o espaço que você deu principalmente a Caustic. Sobre mim, eu sou um cara igual a você ou qualquer um que esteje lendo isso aqui, que resolveu seguir a vida de uma forma diferente, fazendo as coisas que gosta com amor e dedicação, e não sendo mais um que a sociedade impõe ser padronizado, apenas trabalhando até morrer. Há uma vida lá fora esperando pela gente, então acorda e vamos viver. O hardcore punk tem muito a nos ensinar, mesmo a pessoa estando ai há anos. Sempre há alguma coisa nova pra aprendermos e carregarmos conosco em nossas vidas. Depende de nós absorvermos o máximo de coisas boas. Vida longa ao hardcore e todas as formas de expressão que ele pode nos proporcionar. Essa é nossa voz!
Para quem quiser mais informações sobre a Caustic, acessem nosso site:
http://www.xcausticx.com ou mandem email para distro@xcausticx.com

Um comentário:

  1. Poderíamos afirmar que trata-se de uma Lenda do Hardcore Brasileiro!

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